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quinta-feira, 28 de março de 2013

Implante Retiniano

IMPLANTE RETINIANO

Pesquisadores alemães criam prótese que recupera a parte da visão de pessoas cegas.
Implantado cirurgicamente na retina, o dispositivo foi capaz de promover a identificação de rostos e objetos em voluntários que perderam a visão.
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2013/03/ensaio-contra-a-cegueira


Pintores Famosos x Problemas Visuais

DEGAS, Edgard - pintor, escultor e fotógrafo francês

No quadro Dançarinas Azuis sente-se a modificação de estilo do pintor em razão da diminuição de sua visão. Por vezes, abandona o pincel e aplica a cor com os dedos, o que confere um aspecto manchado a alguns de seus quadros.


PISSARRO, Camille - pintor português, mudou-se para a França para praticar sua arte

Adaptou os temas que pintava à patologia que apresentava. Sofria de inflamação agravada pelo vento e pelo frio da região onde vivia. Pintava então olhando pela janela. este quadro, por exemplo, retrata a avenida L'Opéra, vista de um quarto de hotel que dá pra praça do Teatro Francês.



segunda-feira, 25 de março de 2013

Dislexia e Vídeo Games

Uma pesquisa publicada pela Universidade de Pádua e divulgada pelo Huffington Post e pela BBC, mostra que jogos de ação podem melhorar a capacidade de leitura de crianças com dislexia.
Os cientistas italianos selecionaram crianças disléxicas com idades entre 7 e 13 anos e as dividiram entre dois grupos: um deles jogou sessões de 80 minutos do game de ação "Rayman Raving Rabbids e o outro grupo jogou outro game mais relax. 
O resultado?? Quem jogou o primeiro jogo estava apto a ler a ler de forma mais rápida e acurada e, consequentemente, foi melhor nos testes de medição de atenção.
A pesquisa também demonstrou que crianças disléxicas que jogavam 12 horas de videogame, melhoraram mais suas capacidades de leitura do que se passassem um ano inteiro lendo apenas de forma "tradicional".
Segundo os pesquisadores italianos os videogames tem a capacidade de melhorar a atenção e percepção de movimento.

Fonte: http//super.abril.com.br/home/radiconaltalianos

sábado, 23 de março de 2013

Dados do Censo

DADOS ESTATÍSTICOS DO CENSO 2000 x 2010 - IBGE

Em 2000
- População brasileira = 169.799.170
- Total de deficientes = 24.620.880
- Deficientes visuais = 11.818.022

Em 2010
- População brasileira = 190.732.694
- Total de deficientes = 45.600.000
- Deficientes visuais = 35.800.000

quinta-feira, 21 de março de 2013

A Criança Proibida de Ver

ADAPTAÇÃO DA REPORTAGEM - O Estado de São Paulo 
Autoria - Fernando Reinach - Biólogo - 21-03-2013


Os seres humanos associam a palavra "novo" à palavra "melhor" para descrever o progresso da humanidade. Mas nem sempre o novo é melhor. A redescoberta dessa afirmação é óbvia e tem aumentado muito o interesse pelo modo de vida nas sociedades primitivas. 
O novo livro de Jared Diamond, The World Until Yesterday (O mundo até ontem) é sobre esse ontem e sobre o que ele pode nos ensinar. São 500 páginas de observações fascinantes e aqui vai um aperitivo.
Nas sociedades tradicionais, as crianças, antes de andarem, são carregadas pelas mães. Logo que aprende a firmar o pescoço ela é transportada na posição vertical. Pode ser nas costas ou na frente, seja com auxílio dos braços ou panos dobrados.
Nessa posição o campo visual da criança é aproximadamente o mesmo da mãe. Ela olha para a frente e pode observar todo o ambiente em sua volta. O horizonte, as árvores, os animais e seus movimentos são os mesmos da mãe. Quando um pássaro cantar e a mãe virar a cabeça para observar, a criança também tem a chance de associar o canto à figura do pássaro. Carregar a criança na posição vertical faz parte do processo de educação.
Mas isso foi ontem. Hoje inventamos o carrinho de bebê. As crianças são transportadas deitadas de costas olhando o teto. A criança não compartilha a experiência visual da mãe. Os sons ouvidos pela criança não podem ser associados a nada. Deitadas, as crianças modernas só observam o céu e como o céu é claro e incomoda a vista, muitos dos carrinhos possuem uma cobertura de pano que restringem a visão e empobrecem a experiência visual da criança. Hoje transportar uma criança é um estorvo e a solução moderna distancia fisicamente a criança da mãe e não permitem que compartilhem experiências sensoriais. 
Hoje sabemos que o desenvolvimento do córtex visual, a parte do cérebro que processa as imagens, não termina na vida fetal, mas continua após o nascimento e depende do estímulo visual constante para amadurecer.
É incrível mas hoje, numa época em que educar para o futuro é o lema de toda escola, numa época em que tentamos alfabetizar as crianças cada vez mais cedo, abandonamos o hábito milenar de permitir que as crianças olhem para a frente e compartilhem experiências vividas por suas mães.


terça-feira, 19 de março de 2013

A Experiência Perceptiva do Deficiente Visual

A EXPERIÊNCIA PERCEPTIVA, O CORPO E A PESSOA DEFICIENTE VISUAL
Elcie F Salzano Masini - Universidade de São Paulo

Este trabalho diz respeito à busca e delineamento de um caminho para a educação da pessoa deficiente visual a partir da análise bibliográfica especializada que mostrou ser seu desenvolvimento e aprendizagem definidos a partir de padrões adotados para videntes, bem como instrumentos de avaliação e propostas educacionais tem como pressuposto o "ver" que não levam em conta as diferenças de percepção dos que não tem como sentido predominante a visão.
Historicamente o "conhecer" faz-se com o "ver" e o "ver" é condição para o "conhecer". Esta constatação coloca em evidência a situação da pessoa deficiente visual de pertencer a uma cultura na qual o "conhecer" confunde-se com uma forma de percepção que ela não dispõe, condição intensificada por uma sociedade onde tudo se mostra ao olhar e é produzido para ser visto. 
Como então saber sobre o deficiente visual, sua percepção e sua cognição para orientá-lo educacionalmente?
Merleau-Ponty (1971) ao tomar a percepção como conhecimento que se dá no corpo, nas relações de significação com o que está ao redor, apontou um caminho para esta questão. A fenomenologia existencial oferecia uma possibilidade para essa busca, evidenciando a função primordial pela qual fazemos existir o objeto e o espaço, descrevendo o corpo enquanto se dá essa apropriação.
Assim, embora ficasse respondido que conhecer não é ver, um permanecia como condição do outro. Mas não seria possível pensar de outra maneira? Por que não perguntar como é o pensar daquele que não é vidente? Como se dá o conhecimento na ausência da visão?
Junto a crianças que não dispunham de visão, esta pesquisa buscava acompanhar e registrar a espontaneidade das relações, percebendo as características do pensar, sentir e agir de cada criança. Procurava-se registrar como estas crianças, nas suas relações, manifestavam a própria maneira de perceber e organizar-se, como suscitava seu interlocutor, deficiente visual ou vidente, a compartilhar do que fazia e pensava.
As atividades desenvolvidas emergiam do grupo, não havendo situações impostas ou que estimulassem repetições de comportamento. Assim, havia uma participação espontânea, cada criança se comunicava com o outro para realizar o que havia sido decidido com o que dispunha de seus sentidos, de seu modo próprio de pensar e agir.
Vê-las propondo alternativas e integrando-se num grupo, fazendo uma atividade e discutindo com outros permitia pensar como isso de dava? Mas era um ponto importante a ser considerado sobre o deficiente visual, seu perceber e seu conhecer.
Em Fenomenologia da Percepção Merleau-Ponty fala de conteúdos particulares e formas de percepção. Os conteúdos são dados sensoriais (visão, tato, audição) e a forma é a organização desses dados que é fornecida pela função simbólica.
Por meio da dialética forma e conteúdo os dados sensíveis recebem um sentido original, assim, entre o corpo e a consciência não existem relações de dependência mas de reciprocidade.  A consciência consiste em estar nas coisas por intermédio do corpo. A experiência do corpo faz cada um reconhecer os sentidos em que as diversas funções desenvolvem-se dialeticamente.
Quando as funções estão dissociadas, o sujeito não dispõe de abertura para o mundo que o rodeia. Sem outras possibilidades o sujeito está fechado no imediato que o cerca, tem pensamento e percepção conservados mas dissociados. Dispões de funções mas os dados sensoriais aparecem fragmentados.
No caso do deficiente visual, ele tem a possibilidade de organizar os dados como qualquer outra pessoa e estar aberto para o mundo, em seu modo próprio de perceber e relacionar-se. O que o deficiente visual tem é uma dialética diferente devido ao conteúdo não visual e à sua organização cuja especificidade refere-se ao tátil, auditivo, olfativo e cinestésico.
Os sentidos traduzem-se uns aos outros sem necessidade de um intérprete ao fazerem do corpo o sujeito da percepção. Cada órgão dos sentidos interroga o objeto à sua maneira. Falar de percepção é falar do corpo, que é o instrumento geral da compreensão.
Baseado nesses fundamentos, realizou-se a investigação sobre o perceber e o relacionar-se da criança deficiente visual em situações educacionais. A análise dos dados mostrou que:
- nos momentos de espontaneidade a criança deficiente visual mostrou sua maneira própria de perceber e organizar aquilo com que lidava
- compartilhando atividades, as crianças discutiam suas experiências perceptivas e a própria maneira de cada uma realizar as atividades, enriquecendo suas possibilidades de perceber e conhecer
- as crianças deficientes visuais organizavam informações e revelavam-se criativas, quando as condições oferecidas pela professora consideravam  sua forma própria de explorar os objetos e relacionar-se com seu derredor.
O desafio às vias do próprio conhecimento, no que este se diferencia dos que se situam no mundo sem a visão, tem tornado claro que penetrar no mundo percebido pelo deficiente visual, particularmente nos casos de cegueira congênita ou adquirida nos primeiros anos de vida, é tão difícil quanto fazê-lo perceber o mundo, como o vidente o faz. Experienciar estes limites tem constituído, por sua vez, condições para o encaminhamento de novas buscas de recursos, para que o portador de deficiência visual desenvolva suas próprias possibilidades de perceber, se relacionar, pensar e agir com autonomia.

Bibliografia para consulta:
Chaui, M (1998) Janela da Alma, Espelho do Mundo: Editora Schwarer Ltda, SP.
Masini, E F S (1994) O Perceber e o Relacionar-se do Portador de Deficiência Visual - CORDE, Brasília.
Merleaus-Ponty, M (1971) Fenomenologia da Percepção, SP: Freitas Bastos (original publicado em francês em 1945).